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Corrida armamentista na América Latina e a entrada da Venezuela no Mercosul

A posição revolucionária de Hugo Chaves na América Latina e sua postura como candidato a líder do continente, aliadas a uma aversão crescente aos EUA, fazem com que uma corrida armamentista, sem precedentes, se forme na região. O governo brasileiro se vê voltado a um paradoxo. Ao mesmo tempo em que fecha um acordo militar histórico com a França, com o intuito de acompanhar a crescente escalada bélica da Venezuela, tenta contar com a adesão do vizinho sulamericano no bloco econômico estratégico para o continente, o Mercosul. Considerada por muitos especialistas como um desastre para o futuro do bloco econômico e suas diretrizes democráticas, a entrada da Venezuela para o mercado do cone sul precisaria ser analisada pelo âmbito militar. A performance totalitária e truculenta de Hugo Chaves na América Latina e em contraposição aos EUA gera tensões no continente, quando, por pouco, não foi presenciado um conflito com a Colômbia de Álvaro Uribe, grande aliada dos norte-americanos na região. O acordo militar que o presidente Lula está fechando com o presidente da França é visto por alguns especialistas como a consolidação do Brasil como referência bélica no continente, uma oferta de importância política tentadora, que nem mesmo os F18 de Barack Obama e a oferta irresistível da Boeing à Embraer podem superar. A escalada armamentista do Brasil não somente pode ser vista como uma resposta à corrida por armamentos da Venezuela, concretizada através da Rússia, mas a afirmação do Brasil como uma potência emergente, que pode assumir um papel mais ativo nas decisões mundiais, dando o primeiro passo para a escolha do país como um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. A aproximação do presidente Lula com Nicolas Sarkozy pode ser um atalho para a consolidação do desejo do país de ter um papel de maior destaque na ONU. No entanto, a preterização da oferta militar feita pelos EUA ao Brasil contraria um aliado histórico do país e se aproxima do discurso antiamericano de Hugo Chaves. Sem falar que a própria compra de caças Rafale da França pode receber boicote indireto dos norte-americanos, já que parte da tecnologia da aeronave é originária dos Estados Unidos. Em outras palavras, qualquer que seja a escolha do Brasil, pela proposta sueca, americana ou francesa, sua autonomia militar dependerá do consentimento dos vizinhos yankes. A instabilidade emocional e o destempero político de Hugo Chaves serão um grande desafio para o futuro do mercado do cone sul. Os interesses militares de defesa do bloco terão de passar pelos dois países, nações que outrora se armaram temendo a hegemonia bélica do vizinho. A instalação de bases americanas na Colômbia, próximas a fronteiras de cinco países da região, pode acirrar ainda mais os ânimos entre o líder venezuelano e os EUA. A pergunta é de que lado o Brasil estará na eventualidade de um conflito armado entre ambos. Ficará ao lado dos norte-americanos ou apoiará o seu polêmico vizinho de bloco? Deixemos essa pergunta aos políticos brasileiros que pretendem assinar a entrada da Venezuela no Mercosul.
Escrito por Escrito por : Nic Jornalista às 23h42
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